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"A casa é sua", com Branca Lescher


“A casa é sua” é a seção de entrevistas da Revista Cultural Traços. Na primeira edição, a entrevistada foi a cantora e compositora paulistana Branca Lescher.

Entre, leia e conheça mais sobre o trabalho da Branca. A casa é sua, a casa é nossa, a casa é da cultura.


Branca Lescher por Branca Lescher

Branca Lescher - A Branca gosta de ser chamada de Branquinha, é mãe da Violeta e do Bruno, mas às vezes é mais filha que mãe. Gosta de experimentar e nunca se sentiu tão jovem como agora que borda, canta, escreve e pensa. Brinca que saiu do armário desde que se deu o direito de ser artista como sempre na verdade foi. Ficou desviada por um tempo como advogada. Agora até como advogada e mediadora consegue ser criativa.


Como você começou na carreira artística?

BL - A arte sempre esteve por perto. Comecei a cantar no início dos anos 90, mas depois que fiz a pós em canção popular em 2013 o lado compositora aflorou e comecei a de fato estruturar meu trabalho como artista, como compositora e poeta também, além de cantora.


Você tem dois álbuns autorais lançados (“Branca” e “Eu não Existo”). Quais as influências de cada um? Como foi a construção deles?

BL - Além dos álbuns autorais (que estão disponíveis nas plataformas digitais) tenho outros dois de 2002 e 2005, em que interpreto canções da bossa nova e mpb. O primeiro álbum autoral é de 2016 "Branca" com 13 canções (12 de minha autoria e uma do Marcelo Segreto) tem uma vocação mais de bossa nova, os parceiros nas canções foram meus colegas do curso da pós. O curso foi muito rico e ficamos todos muito ligados. O disco foi produzido e arranjado pelo Zeca Loureiro, que canta comigo também a canção Cola em Mim e é meu parceiro em Barra de Guaratiba e o Sidney Ferraz Jr que é meu parceiro em Polaroid. O Disco "eu não existo" foi produzido e arranjado pelo Marcelo Segreto, meu parceiro em duas canções do disco, Dia da Mulher e Bigode Chinês. AS outras dez são cinco em parceira com a Edmiriam Modulo e as demais são letra e música minhas. Eu digo sempre que o disco é meu e do Marcelo porque os arranjos são muito especiais, com muita influência da vanguarda paulistana no meu jeito de cantar e compor e no dele nos arranjos. Toda a produção do disco foi muito especial e as participações também. Toninho Ferragutti, Swami Jr, Bernardo Couto, Cristina Clara, o Marcelo cantando comigo, a Regina Di Stasi abrindo voz, enfim, que pena que ainda não pudemos lançar o disco ao vivo. No disco também gravamos em Lisboa o Fado Brasileiro " Bailado", enfim, muita coisa bacana aconteceu.


Quais as temáticas das suas músicas?

BL - Minhas músicas falam das minhas impressões. do que eu sinto, do que eu vivo, do que eu acredito. Acho que eu tenho um defeito ou uma qualidade que é a de ser muito sincera e falar as coisas de uma maneira simples. Quando eu escrevo é assim, quando canto, quando componho.


Todo artista tem obras que são xodós. Quais são os seus?

BL - Os meus xodós são todas, mas as que tenho gostado mais de cantar são " dia da mulher", " salvo conduto", "je suis Nelson Mandela", do disco Branco, "polaroid", enfim, gosto de todas, estou muito ansiosa para poder fazer o show, respeitando os arranjos do disco. Adoro dia das mãos também e Lisboa.


Você mesma compõem suas músicas ou tem parcerias? Quais a importância dessas parcerias na sua obra?

BL - Eu componho às vezes letra e melodia, às vezes só a letra e em uma única vez eu fiz a melodia para uma poesia (ainda não gravei em disco, mas está no youtube, "sequestro", uma poesia do Carlos Emilio Faraco). Nesse último disco todas as letras são minhas (Violeta é minha e da Edmiriam). É tudo bom, parceiras são sempre bacanas. Meus parceiros são sempre muito amigos e é maravilhoso quando você vai fazendo junto a canção vai nascendo. Com a Edmiriam, como ela não mora em São Paulo, eu mandava as letras por whatsApp e ela me devolvia melodias maravilhosas, apenas Lisboa nós fizemos juntas. Polaroid, o Sidney me mandou a música com o título e eu fiz a letra, com o Pascali também, fiz a letra a partir de uma melodia que já existia.


Como é o processo de criação das suas composições, dos conceitos dos álbuns? O que te influencia neste processo criativo?

BL - O conceito do álbum eu não existo foi bastante pensado. Eu e o Marcelo tínhamos o recado muito claro. Minha necessidade de falar sobre liberdade e autonomia. Algumas canções fiz com esse objetivo, ou seja, eu já sabia o que queria dizer, mas organizei meus pensamentos, dei meu recado.


Como a pandemia afetou você? O que você precisou adaptar? Teve algum lado positivo?

BL - A pandemia, a par de toda a tristeza que nos trouxe, me deixou mais focada. Tenho estudado muito. Acho que como cantora nunca evolui tanto, muitas aulas de canto, muitas oficinas. Tenho escrito muito e compus bastante. Meu parceiro nas ultimas quatro canções, o Sergio Bello, um músico incrível está com COVID, entubado e estou muito preocupada e triste por ele e por todos. A pandemia mudou nossas vidas. Fiz várias lives com o Bello ao longo do ano passado, mas tenho muita saudade de estar com as pessoas, cantar para as pessoas. Um período muito difícil, que espero passe logo. Enquanto isso continuo estudando e criando, que sorte ter a arte por perto.


E agora, aquela mensagem para os leitores da revista Traços.

BL - A mensagem que trago é a de que a gente deve ser verdadeiro, com nossos sonhos e desejos. Medo, inveja, ciúmes, tudo faz parte, mas o importante é seguir em frente. Bjos


@brancalescher

www.brancalescher.com

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