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  • Revista Traços

COLHEITA


Geraldo Ramiere

Planaltina-DF


Onde sapatos

Lustrados e arrogantes

Pisam, repisam

Onde poderosos

Elaboram leis

E governam o país

Homens simples

Com sonhos retirantes

De botas sujas

E mãos nuas

Estão plantados

Sementes involuntárias

Nesta lavoura

De concreto e metal


Ali

Sonhos simples

De homens retirantes

Erguiam prédios

Como quem arava

A terra mais seca

Subiam aos céus

Asas de andaime

Comer nuvens

Dormir trabalho

Entre ser nada

Ou pouca coisa

Cumprir ordens

De repente o salto

De repente o fundo

De repente se esquece

E cimento


Debaixo dos pés

De homens poderosos

Que pisam, repisam

Permanecem semeados

Sonhos retirantes

Sob cada hora

De outros sonhos

Retirados, removidos

Jogados ao chão

Mas lá, logo ali

Poucos percebem

Que o esquecido

Rompe o concreto

Lento e discretamente

Brotando indiferente

Aos que pisam

E ao poder


Chegaremos ao dia

Que todos verão

Crescer imensamente

Florescendo do concreto

Cobrindo o Congresso

Algo que chamarão

De planta nova

Mistura de cerrado

Com sertão

E logo descobrirão

Que na verdade

São apenas

Sonhos germinados

Há anos esperando

Serem colhidos

E colhidos serão

Aqui

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